Pagar dívidas é o melhor uso para o 13º, dizem especialistas

Trabalhadores devem conter impulsos de consumo e quitar débitos antes de aumentar as compras de Natal; formar reserva também é essencial

Habitualmente, os consultores financeiros recomendam que os trabalhadores guardem parte do décimo-terceiro salário para pagar as despesas que surgem no início do ano seguinte, como as com material escolar e IPVA dos veículos. Mas, em 2015, o cenário não é habitual. O aumento do desemprego tem puxado para cima o endividamento das famílias, como atestou pesquisa recente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), segundo a qual três de cada quatro trabalhadores pretendem usar a remuneração extra para pagar dívidas.

Como o mais provável é que sobre pouco (ou nenhum) dinheiro para seguir as dicas recorrentes dos oráculos financeiros, qual a melhor opção? “Pague as dívidas, e primeiro as que têm juros mais altos”, diz Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest. “Nessas situações. não adianta: temos que ser conservadores.”

Em um cenário hipotético em que o trabalhador ganha 2.000 reais por mês e tem dívidas de 1.500 reais no cheque especial e 1.500 reais no cartão de crédito, o aconselhável, diz Calil, é liquidar a dívida que tiver os juros mais altos. “Assim, o ideal é ele quitar a do rotativo do cartão e, com o restante, amortizar os 500 reais do cheque especial”, sugere o especialista.

O próximo passo é verificar quais contas chegam nos três primeiros meses do ano, como por exemplo o IPVA, o IPTU, o material escolar e a matrícula da escola e da faculdade. Uma conta básica para saber quanto poupar para essas despesas de início de ano – isso, claro, se houver de onde tirar para poupar: basta acrescentar 15% em relação ao que se gastou com essas mesmas contas no ano anterior, afirma Calil.